A ÁRVORE AQUELA
A Árvore Aquela
A verticalidade da memória e a sobriedade do olhar
Lançado em 1991, A Árvore Aquela é um dos marcos da trajetória poética de Vera Pedrosa. Diplomata e escritora, Vera trouxe para a literatura brasileira uma voz que foge dos excessos sentimentais, preferindo o rigor da observação e a precisão da imagem. O título sugere uma presença física e simbólica — algo que se ergue e permanece, servindo como eixo para as reflexões que percorrem as páginas do livro.
A poesia de Vera Pedrosa neste volume é marcada por uma lucidez cortante. Seus versos são frequentemente curtos, mas carregados de uma densidade que exige do leitor uma pausa reflexiva. Ela explora a passagem do tempo, a natureza dos afetos e a relação entre o "eu" e o espaço exterior com uma elegância clássica, mas profundamente moderna em seu despojamento. A "árvore" do título pode ser lida como a própria estrutura do poema: algo que tem raízes na terra (a realidade concreta), mas que busca a expansão no ar (a abstração do pensamento).
Em A Árvore Aquela, encontramos uma autora que domina o silêncio. Vera Pedrosa sabe que o que não é dito é tão importante quanto as palavras escolhidas, e essa economia verbal resulta em uma lírica poderosa e sem adornos inúteis. É uma obra que convida à contemplação e ao reconhecimento das estruturas invisíveis que sustentam a nossa experiência cotidiana.
O Poder da Contenção
"A árvore aquela / que o olhar / mal viu / e no entanto / já se inscreveu." A poesia de Vera Pedrosa atua nessa fresta entre a percepção imediata e a memória profunda.
Trata-se de uma obra essencial para quem busca uma lírica que não precisa de gritos para ser ouvida, baseando sua força na solidez da imagem e na inteligência do verso.