A CORDA QUE SAI DO ÚTERO
A corda que sai do útero
Maternidade, luto e a urgência de abrir espaços
Lançado em julho de 2024, A corda que sai do útero consolida a voz de Ana Suy como uma das autoras mais lidas da psicanálise contemporânea brasileira. Este não é apenas um livro sobre ser mãe; é uma obra que fala de pedaços. De filha a mãe, de mãe de bebê a mãe de criança, Suy nos guia por uma jornada onde a maternidade revela-se como um contínuo elaborar de lutos. Através de poemas e reflexões, a autora nos lembra que viver implica, irreversivelmente, aceitar que a vida não pode ser tudo o que imaginamos — ela é o que é, e nesse limite reside sua beleza.
A obra funciona como um ato de amor e um exercício de desprendimento. Ana Suy escreve com a urgência de quem precisa abrir espaços para que o outro possa existir além do confinamento e da simbiose. Como bem aponta a psicanalista Malvine Zalcberg, a autora diferencia a posição da mãe como aquela que "tem" da mulher como aquela que "não tem", oferecendo à filha a "falta" — o motor essencial do desejo humano. É um convite para entender que são sempre os pedacinhos que importam, e não o todo idealizado.
Ler este livro é "dançar o texto" e exaurir a respiração, como sugere Luciana K. P. Salum. Em um mundo muitas vezes sem fôlego, Ana Suy utiliza o corpo todo para escrever sobre nascimentos e perdas. Ela nos ensina que, para refazer a existência, é preciso murmurar as histórias como se fosse a primeira vez, cortando a corda para que a respiração — e a vida — possa finalmente ser própria.
A Falta como Presente
"Filha, saiba: são sempre os pedacinhos que importam." Ana Suy transforma a perda da totalidade em um caminho para a liberdade.
Nesta obra, descobrimos que a maternidade é um constante deixar ir, para que a vida possa respirar por conta própria.