A VIAGEM DO ELEFANTE
A Viagem do Elefante
Uma jornada épica e irônica pela Europa do século XVI
Publicado em 2008, A Viagem do Elefante é uma das obras mais luminosas e divertidas da fase final de José Saramago. Baseado num episódio histórico real, o romance narra a inusitada jornada de Salomão, um elefante asiático que, em 1551, foi enviado de Lisboa para Viena como presente de núpcias do rei D. João III para o seu primo, o arquiduque Maximiliano II da Áustria.
Acompanhado pelo seu fiel cuidador, o indiano Subhro, o elefante atravessa uma Europa marcada por conflitos religiosos e rigidez social. Saramago utiliza esta odisseia terrestre para tecer uma reflexão profunda e bem-humorada sobre a condição humana, a vaidade do poder e a natureza do "outro". A relação entre o animal e o seu guia serve de contraponto à pompa absurda das cortes reais e à superstição das populações que encontram pelo caminho.
Com o seu estilo narrativo inconfundível, onde a oralidade se funde com a escrita, Saramago transforma um fato histórico numa parábola sobre a compaixão e a efemeridade. É uma obra que celebra a vida e a dignidade, escrita por um autor que, mesmo no fim da vida, nunca perdeu a capacidade de se encantar com as ironias do destino e a complexidade do espírito humano.
Nota Literária
Diferente da densidade de "Ensaio sobre a Cegueira", aqui encontramos um Saramago mais leve, quase terno. O narrador intervém constantemente na história, comentando os absurdos da época e estabelecendo um diálogo cúmplice com o leitor.
A viagem não é apenas geográfica, mas uma jornada pela alma humana. No final, Salomão, o elefante, torna-se um símbolo da paciência e da sabedoria silenciosa diante de um mundo barulhento e, muitas vezes, irracional.