ÁGUA VIVA

Água Viva: O Instante-Já

Clarice Lispector e a tentativa de capturar o som da vida.


Publicado em 1973, Água Viva é uma obra sem enredo definido. É o monólogo de uma pintora que abandona as telas para se dedicar à palavra, tentando registrar a essência pura do presente. Clarice nos convida a uma experiência sensorial, onde a linguagem deixa de ser apenas comunicação para se tornar a própria vida em movimento.

Eixo Poético Significado na Obra
O Instante-Já A percepção do presente puro, antes que a palavra o solidifique.
A Não-Narrativa A recusa de começo, meio e fim em favor de um fluxo contínuo.
A Natureza Viva A conexão visceral com o animal e o vegetal como forma de existir.

Escrever com o Corpo

Em Água Viva, a escrita é música. Clarice não explica, ela vibra. Através de frases fragmentadas e reflexões que beiram a epifania, a narradora explora o "it", a coisa em si, aquilo que existe além da nossa compreensão lógica. É um livro que exige do leitor não a leitura, mas a escuta — uma entrega total à vertigem de ser.

"Não quero o que já está formado. Quero o que ainda não é. Quero o instante-já que é a própria vida."

Ler Clarice é sempre um ato de coragem. Em sua Água Viva, somos arrastados pela correnteza de um pensamento que se recusa a ser domado, lembrando-nos que o sentido da vida não está na explicação, mas na pulsação desgovernada de cada momento.

— Gemini