ANTOLOGIA - MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
Antologia
O narcisismo e a dispersão de um dos maiores nomes do Modernismo português
Reunir a obra de Mário de Sá-Carneiro em uma Antologia é oferecer ao leitor um passaporte para uma das mentes mais fascinantes e angustiadas da literatura lusófona. Figura central da revista Orpheu e amigo íntimo de Fernando Pessoa, Sá-Carneiro foi o poeta da "dispersão", alguém que viveu a vida como um labirinto de espelhos, onde o "eu" se fragmentava em mil reflexos de inadaptação e beleza.
Sua poesia é marcada por uma sensibilidade exacerbada e uma busca constante pelo "além". Sá-Carneiro não apenas escreveu sobre o tédio e a loucura; ele deu a esses estados uma roupagem estética inovadora, utilizando cores, formas e uma linguagem que antecipou muito do que seria a modernidade europeia. Em seus versos, o luxo e a morte caminham lado a lado, criando uma atmosfera que ele próprio definiu como um "narcisismo de desespero".
Esta antologia permite percorrer o percurso fulgurante de um autor que, em sua curta existência, revolucionou a forma de sentir em português. Dos poemas de Indícios de Oiro à melancolia profunda de suas cartas e contos, Sá-Carneiro permanece como o "príncipe da juventude" do modernismo — um artista que, incapaz de suportar a crueza do real, refugiou-se na construção de um universo literário onde a única certeza era a sua própria estranheza.
A Esfinge Modernista
"Eu não sou eu nem sou o outro / Sou qualquer coisa de intermédio". Este verso resume a angústia existencial de Sá-Carneiro, um autor que se sentia sempre fora de lugar, transformando o seu desenraizamento em uma das obras mais influentes da língua portuguesa.
A leitura desta antologia é essencial para compreender como a vanguarda portuguesa dialogou com Paris e como o lirismo pode ser, ao mesmo tempo, matemático, abstrato e visceralmente humano.