BATENDO PASTO
Batendo Pasto
A força telúrica e a dicção indomável da maturidade
Publicado originalmente em 1982 e resgatado em edições recentes que reafirmam sua importância, Batendo Pasto é o ápice da poética de Maria Lúcia Alvim. Após décadas de relativo silêncio e circulação restrita, a obra da poeta mineira — irmã de Francisco Alvim — emergiu como um elo perdido entre o modernismo clássico e a experimentação contemporânea. Neste livro, Maria Lúcia abandona qualquer resquício de delicadeza convencional para abraçar uma linguagem áspera, rústica e profundamente ligada à terra.
A metáfora do "bater pasto" evoca o trabalho bruto, a lida com o campo e o desbravamento de um território que é, ao mesmo tempo, geográfico e psíquico. Seus versos são curtos, nervosos, dotados de uma sonoridade que mimetiza o estalar do chicote ou o passo pesado no solo seco. Maria Lúcia Alvim constrói uma "lírica do rastro", onde a memória da fazenda, a presença dos animais e a dureza da vida rural são transfiguradas em uma metafísica da sobrevivência.
Ler Batendo Pasto é submeter-se a uma experiência de desestabilização. Não há conforto na leitura, mas sim o impacto de uma voz que se recusa a ser domesticada. A poeta utiliza o arcaico para fundar o moderno, provando que a poesia mais radical pode nascer da observação mais elementar da natureza e do bicho. É uma obra essencial para quem busca entender a pluralidade da voz feminina no Brasil e a capacidade da palavra em traduzir o que há de mais indômito na alma humana.
A Linguagem da Terra
"O poema é o bicho que pasta." Maria Lúcia Alvim extrai da lida bruta uma beleza que não pede licença para existir.
Nesta obra, a poesia volta às suas raízes mais elementares, onde o som da palavra se confunde com o barulho do mundo.