DOM CASMURRO
Dom Casmurro: O Enigma da Memória
Machado de Assis e a dúvida que atravessa gerações.
Publicado em 1899, Dom Casmurro é uma obra-prima do Realismo psicológico. Narrado em primeira pessoa por um Bento Santiago envelhecido e amargurado, o livro tenta reconstruir sua trajetória de amor e ciúme por Capitu. O grande trunfo de Machado não é o possível adultério, mas a construção da dúvida na mente do leitor.
Capitu: Criatura ou Criadora?
O grande silêncio da obra é a voz de Capitu. Conhecemos a mulher "capaz de enganar o próprio diabo" apenas através do filtro de Bentinho. Machado nos convida a questionar: Capitu traiu ou Bentinho, em sua insegurança e casmurrice, criou uma narrativa para se proteger da felicidade que não soube sustentar?
"Olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e era a denominação própria."
A tragédia de Dom Casmurro não está no fim do casamento, mas na solidão final de um homem que transformou sua memória em um tribunal sem defesa. Capitu permanece como o grande enigma, provando que, na vida e na literatura, a percepção é muitas vezes mais poderosa que a própria verdade.