ESCRITOS AO SOL
Escritos ao Sol
A geometria da luz e a memória das cidades na poesia de Adriano Espínola
Publicado em 2012 e vencedor do prestigiado Prêmio Jabuti, Escritos ao Sol é uma das obras mais luminosas de Adriano Espínola. O poeta cearense, radicado no Rio de Janeiro, constrói neste livro uma lírica que dialoga com a clareza clássica e a fragmentação moderna, utilizando o sol não apenas como elemento astronômico, mas como uma lente que revela a arquitetura das cidades e das emoções.
A obra é dividida em seções que percorrem diferentes geografias — de Fortaleza ao Rio de Janeiro, passando por incursões europeias. Espínola demonstra um domínio técnico invejável, alternando entre o rigor do soneto e a fluidez do verso livre. Sua poesia é tátil, visual e profundamente intelectual, capturando a vibração do meio-dia, a sombra projetada nas calçadas e o silêncio que habita os espaços urbanos.
Em Escritos ao Sol, o autor também mergulha na metapoesia, refletindo sobre o próprio ato de escrever sob a égide da luz. É um livro sobre a permanência das coisas sob o desgaste do tempo, onde a memória atua como um processo de revelação fotográfica. Adriano Espínola reafirma-se como um dos grandes ourives da palavra contemporânea, oferecendo ao leitor uma poesia que, embora solar, nunca deixa de ser densa e reflexiva.
Claridade e Forma
A poesia de Adriano Espínola foge do hermetismo gratuito. Ele busca a "clareza" não como facilidade, mas como um ideal estético onde a palavra deve ser tão exata quanto um raio de sol atravessando uma fresta.
A leitura deste livro é uma experiência visual. É impossível não se sentir transportado para as paisagens que ele descreve, onde o calor e o brilho solar funcionam como personagens que moldam a percepção do leitor sobre o cotidiano.