MADAME BOVARY
Madame Bovary: O Abismo do Desejo
Gustave Flaubert e a busca impossível pela idealização.
Emma Bovary é uma das personagens mais trágicas da literatura mundial. Educada por romances sentimentais, ela projeta na vida real uma expectativa de luxo e paixão que a mediocridade do cotidiano jamais poderá suprir. Flaubert, com sua precisão cirúrgica, descreve não apenas um adultério, mas a falência de um espírito que se recusa a aceitar o ordinário.
A Prisão do Ideal
A tragédia de Emma não é a sua busca pelo prazer, mas a sua incapacidade de habitar o presente. Para ela, a felicidade está sempre em outro lugar: no próximo amante, no próximo vestido ou em uma Paris idealizada que ela nunca conhece. O tédio torna-se uma doença física, e o endividamento, uma metáfora para o vazio espiritual que nada consegue preencher.
"Emma buscava saber o que se entendia exatamente na vida pelas palavras felicidade, paixão e embriaguez, que lhe tinham parecido tão belas nos livros."
Flaubert afirmou certa vez: "Emma Bovary c'est moi" (Emma Bovary sou eu). Com isso, ele reconhecia que a fome de absoluto e a decepção com a realidade são sentimentos universais. Emma morre não apenas pelo arsênico, mas pela impossibilidade de reconciliar seus sonhos com o chão que pisava.