MEU QUINTAL É MAIOR QUE O MUNDO
Meu Quintal é Maior que o Mundo
A apologia do ínfimo e a reinvenção da natureza pela palavra
Publicada originalmente em 2015 como uma antologia comemorativa, Meu Quintal é Maior que o Mundo percorre as diversas fases de Manoel de Barros, o poeta que "transviu" o Pantanal. A obra é uma porta de entrada monumental para quem deseja compreender como um autor conseguiu subverter a lógica da utilidade, transformando o resto, o pequeno e o desprezível em matéria de alta voltagem lírica.
A poética de Manoel de Barros é um exercício de "desaprendizado". Para ele, a língua deve retornar ao seu estado primitivo, livre das amarras da gramática normativa e das convenções sociais. Através de seus famosos neologismos e de uma sintaxe inventiva, ele aproxima o homem dos bichos e das plantas, nivelando a importância de um imperador à de uma formiga. O "quintal" não é um espaço geográfico limitado, mas a própria imensidão da imaginação que, ao focar no detalhe de uma pedra ou no voo de um pássaro, expande-se para além dos limites do globo.
Em cada verso, Manoel de Barros nos ensina que a beleza reside no inútil. Suas "idiossincrasias" são, na verdade, lições de filosofia profunda travestidas de simplicidade. Ler esta coletânea é aceitar o convite para olhar o mundo debaixo para cima, valorizando o orvalho, os caramujos e o silêncio das coisas que não servem para nada, exceto para serem poesia.
A Escrita do Chão
"Tudo o que não invento é falso." Manoel de Barros nos ensina que a realidade nua e crua é insuficiente; precisamos da invenção poética para suportar a imensidão do que somos.
Neste "quintal", a gramática perde o prumo e o coração ganha asas, provando que a maior viagem que podemos fazer é aquela que nos leva para dentro das pequenas coisas.