MOBY DICK
Moby Dick: A Obsessão e o Absurdo
Herman Melville e o duelo metafísico no oceano infinito.
"Chamem-me Ismael." Com esta abertura icônica, mergulhamos no Pequod, um navio baleeiro que se torna um microcosmo da humanidade. Sob o comando do Capitão Ahab, a caça comercial transforma-se em uma vingança teológica contra Moby Dick, a colossal baleia branca que arrancou sua perna e, com ela, sua paz.
A Brancura da Baleia
Melville dedica um capítulo inteiro à "brancura" da baleia. Para o autor, o branco não representa pureza, mas um vazio aterrorizante, uma ausência de cor que simboliza o desconhecido. Moby Dick não ataca por maldade; ela apenas é. O terror de Ahab vem de perceber que o universo pode não ter o sentido moral que ele tenta projetar através de seu ódio.
"Para mim, a baleia branca é um muro, encostado bem perto. Às vezes penso que não há nada além. Mas isso basta."
Ao final, apenas Ismael sobrevive para contar a história. Sua sobrevivência é um ato de sorte e de observação: enquanto Ahab tentou dominar o oceano, Ismael limitou-se a contemplá-lo. Moby Dick permanece como o maior lembrete literário sobre o perigo de transformar nossa dor pessoal em um duelo contra a própria existência.