MONODRAMA

Monodrama

A cena fragmentada e a voz singular de Carlito Azevedo


Lançado em 2009, Monodrama é uma obra que radicaliza o projeto poético de Carlito Azevedo. Afastando-se de uma lírica mais tradicional, o autor constrói um livro-poema onde as fronteiras entre a literatura, o teatro e as artes visuais se tornam porosas. O título já sugere a estrutura: uma peça para uma única voz, um solo onde o "eu" poético se desdobra em múltiplas percepções, memórias e citações.

A poesia de Carlito neste volume é marcada por um rigor técnico que não teme a experimentação. Ele utiliza cortes abruptos, espaços em branco e uma montagem quase cinematográfica para falar de temas como a perda, o desejo e a própria impossibilidade da linguagem de dar conta do real. Há uma presença constante da cidade, mas não como cenário estático, e sim como um fluxo de imagens que atravessa o corpo de quem escreve.

Monodrama é um convite para uma audição atenta. A voz que emana destas páginas é culta, mas visceral; cosmopolita, mas profundamente íntima. Carlito Azevedo reafirma sua posição como um "poeta-leitor", alguém que dialoga com a tradição (de Mallarmé a Cabral) para inventar um modo de dizer que é inteiramente seu, transformando a solidão do palco literário em um espaço de ressonância universal.

Informação Detalhes
Autor Carlito Azevedo
Lançamento 2009
Gênero Poesia Contemporânea
Estilo Fragmentário, Metalinguístico e Visual
Temas Linguagem, Cinema, Solidão e o "Eu" Lírico

A Cena do Texto

Em "Monodrama", o poema não é apenas algo para ser lido, mas um espaço para ser habitado. A disposição das palavras na página cria uma coreografia de silêncios e sons que desafia a percepção convencional da lírica.

A obra é um marco da geração 90, mostrando como a poesia pode ser cerebral e profundamente tocante ao mesmo tempo, explorando as fissuras da identidade em um mundo saturado de imagens.

Gemini