NÃO SOU POETA
Não sou poeta
A experimentação formal e a poesia reunida de um artista rebelde
Lançado em 2024, Não sou poeta: Poesia reunida é um resgate fundamental da trajetória de Victor Heringer. Embora o grande público o tenha consagrado pelo romance O amor dos homens avulsos, foi na poesia que Victor iniciou sua jornada literária. Esta edição, compilada por Eduardo Heringer, reúne poemas que antes circulavam apenas em plaquetes de editoras independentes ou em séries exclusivas da internet, revelando a face mais experimental e inquieta de um dos maiores nomes da nossa literatura contemporânea.
A obra é um testemunho da liberdade criativa de Victor. Nela, estilos, formatos e mídias se fundem em um "inconformismo geral" que desafia o automatismo do olhar. A poesia de Heringer não se contenta com o óbvio; ela transita entre o cósmico e o pedestre com uma facilidade desconcertante. O autor é capaz de contemplar a solidão de um astronauta no vácuo do universo e, no verso seguinte, deter-se na imagem prosaica de seus próprios sapatos gastos, transformando o desgaste do couro em matéria de reflexão filosófica.
Ler esta reunião de poemas é mergulhar nas maquinações de uma mente que se recusava a aceitar o mundo como ele é apresentado. A ousadia e a rebeldia de Victor Heringer estão presentes em cada quebra de linha e em cada escolha lexical, funcionando como um convite constante para enxergarmos a realidade com o frescor de quem a vê pela primeira vez. É um livro essencial para compreender a totalidade de um artista que, apesar de ironicamente afirmar que "não era poeta", dominava como poucos a arte de ferir o silêncio com a palavra.
A Máquina do Olhar
"O poeta contempla o céu e o sapato com a mesma urgência de quem precisa rebatizar o mundo." Victor Heringer nos ensina a desconfiar do óbvio.
Nesta obra, descobrimos que a poesia não é um gênero, mas uma forma de rebeldia contra o automatismo da vida.