O HOMEM E SUA HORA E OUTROS POEMAS

O homem e sua hora e outros poemas

A arquitetura do trágico e o rigor da forma


Publicado originalmente em 1955, O homem e sua hora é o único livro de poemas que Mário Faustino viu impresso em vida. Nesta obra, Faustino apresenta uma dicção poética que se distanciava tanto do sentimentalismo tardio quanto do facilitismo coloquial. Sua poesia é uma construção intelectual rigorosa, onde o destino do homem é debatido através de um diálogo constante com a tradição clássica e as vanguardas modernas. Para ele, a "hora" do homem é o momento do confronto inevitável com a sua própria mortalidade e com a história.

Faustino foi um mestre da "poesia como crítica". Seus versos são densos, repletos de referências eruditas, mas nunca desprovidos de uma angústia vital e pulsante. Ele buscava uma forma que fosse, ao mesmo tempo, sólida e dinâmica, capaz de conter as contradições de um mundo em transformação. A influência do Concretismo e de poetas como Ezra Pound é nítida, mas Faustino manteve uma independência lírica que lhe permitiu explorar temas universais com uma originalidade técnica que ainda hoje surpreende pela atualidade.

Ler Mário Faustino é ingressar em um laboratório de linguagem. O homem e sua hora e outros poemas é o testemunho de uma inteligência que não aceitava o óbvio e que via na arte um instrumento de ascese e de conhecimento. Embora sua carreira tenha sido curta, sua contribuição para a poesia brasileira foi imensa, estabelecendo novos padrões de exigência e estética. É uma obra indispensável para quem deseja compreender a transição para a modernidade poética brasileira sob o signo da lucidez e do rigor.

Informação Detalhes
Autor Mário Faustino
Nome Original Mário Faustino dos Santos e Silva
Tipo de Literatura Poesia Brasileira / Lirismo Moderno
Corrente Literária Modernismo (Geração de 45 / Concretismo)
Temas Tempo, Destino, Morte e Construção Artística

A Escrita como Destino

"O tempo corre em nós e nós no tempo." Mário Faustino encarava a poesia como uma forma de fixar o efêmero através da precisão técnica.

Nesta obra, a palavra não é apenas expressão, mas uma ferramenta de combate contra o silêncio e o esquecimento que a "hora" final impõe.

Gemini