O SOL TAMBÉM SE LEVANTA
O sol também se levanta: A Geração Perdida
Ernest Hemingway e o estoicismo diante do vazio existencial.
Ambientado na Paris boêmia e nas festas de San Fermín, na Espanha, o romance acompanha Jake Barnes e um grupo de expatriados que tentam preencher suas vidas com álcool, touradas e viagens. Atravessados pelas cicatrizes físicas e psicológicas da Primeira Guerra Mundial, eles personificam a desilusão de uma juventude que perdeu a fé nos valores antigos.
Entre o Tédio e a Paixão
Hemingway utiliza sua famosa "Teoria do Iceberg" para mostrar a angústia dos personagens sem nunca nomeá-la diretamente. Nas conversas triviais e nos copos vazios, reside o silêncio de quem não sabe mais em que acreditar. A viagem à Espanha surge como uma tentativa de reconexão com o primitivo e com a terra, onde o sol continua a se levantar, independentemente das tragédias humanas.
"Não é bom, Jake? Poderíamos ter sido tão felizes juntos. — É. Não é bom pensar assim?"
O encerramento melancólico do livro reforça que a redenção não é um destino final, mas uma aceitação do agora. Hemingway nos ensina que, mesmo em um mundo fragmentado, resta-nos a dignidade de observar o espetáculo da vida com os olhos bem abertos.