O XANGÔ DE BAKER STREET
O Xangô de Baker Street
Sherlock Holmes em uma aventura tropical e irresistível
Publicado em 1995, O Xangô de Baker Street marcou a consagração de Jô Soares como um romancista de mão cheia. Com uma mistura genial de erudição, rigor histórico e humor escrachado, Jô transpõe o maior detetive de todos os tempos, Sherlock Holmes, e o seu fiel escudeiro, Dr. Watson, para o Rio de Janeiro do Segundo Reinado.
A trama começa quando um precioso violino Stradivarius, presente do Imperador D. Pedro II para uma baronesa, desaparece misteriosamente. Ao mesmo tempo, uma série de assassinatos brutais assusta a corte. Holmes é convidado a resolver o caso, mas o mestre da dedução britânica vê-se perdido em meio ao calor tropical, à culinária exótica (e seus efeitos colaterais), e aos encantos das mulheres brasileiras.
O grande mérito da obra reside no choque cultural e na forma como Jô Soares brinca com os cânones da literatura policial. Ao colocar Holmes para experimentar feijoada, vatapá e frequentar terreiros de candomblé, o autor cria uma sátira inteligente que, ao mesmo tempo, presta uma homenagem amorosa ao Rio de Janeiro de 1886. É uma leitura vibrante, onde a lógica fria de Baker Street sucumbe, hilariamente, ao "jeitinho" e à magia do Brasil.
Cenário e Curiosidades
Jô Soares povoa o livro com figuras históricas reais, como D. Pedro II, a Princesa Isabel e o intelectual Olavo Bilac, o que confere à sátira um fundo de verdade histórica fascinante. A descrição da cidade, com seus costumes e epidemias, é fruto de uma pesquisa minuciosa.
O título faz referência à divindade iorubá do trovão e da justiça, Xangô, estabelecendo o contraste perfeito entre a racionalidade europeia de Holmes e a espiritualidade vibrante brasileira. É, acima de tudo, uma celebração da inteligência e do bom humor.