OS TRABALHOS E AS NOITES

Os trabalhos e as noites

A arquitetura do silêncio e o peso da palavra


Publicado originalmente em 1965, Os trabalhos e as noites (Los trabajos y las noches) é considerado por muitos críticos como o ponto de maturidade lírica de Alejandra Pizarnik. Nesta obra, a poeta argentina abandona as experimentações mais extensas para se dedicar a uma economia verbal absoluta. Cada poema é um cristal lapidado, onde o máximo de sentido é extraído do mínimo de palavras, criando uma atmosfera de intimidade quase insuportável.

A poética de Pizarnik nesta fase é marcada por uma busca incessante pelo "lugar que não existe". Ela transita entre a infância perdida, o erotismo sombrio e o medo da loucura, utilizando símbolos recorrentes como a noite, o jardim, o espelho e a boneca. Seus versos são fragmentos de um diálogo interno onde a linguagem tenta, desesperadamente, preencher o vazio da existência. Para Alejandra, escrever era um rito de sobrevivência, um "trabalho" exaustivo realizado nas "noites" da alma.

A beleza desta obra reside na sua precisão cirúrgica. Pizarnik não desperdiça metáforas; ela as vive. Os trabalhos e as noites é um testemunho da vulnerabilidade humana, onde o sofrimento é transformado em uma estética de extrema elegância e rigor. Ler este livro é entrar em um território onde o silêncio fala mais alto que o grito, reafirmando Alejandra Pizarnik como uma das vozes mais trágicas e brilhantes da poesia do século XX.

Informação Detalhes
Autora Alejandra Pizarnik (1936-1972)
Lançamento 1965 (Sudamericana)
Gênero Poesia Argentina / Surrealismo
Estilo Conciso, Lúgubre e Metafísico
Temas Solidão, Linguagem, Morte e Infância

A Escrita do Abismo

"Escrever é dar sentido ao sofrimento." Pizarnik levou essa premissa ao limite, criando uma obra que é, ao mesmo tempo, um ferimento exposto e uma joia literária.

Nesta coletânea, percebe-se que cada palavra foi conquistada contra o silêncio, resultando em uma leitura que assombra e fascina em igual medida.

Gemini