POEMAS ESCOLHIDOS - SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
Poemas Escolhidos
A busca pela justiça, pela clareza e pelo brilho do mar
Sophia de Mello Breyner Andresen é uma das vozes mais fundamentais da literatura em língua portuguesa do século XX. Seus Poemas Escolhidos oferecem uma síntese magistral de uma obra pautada pelo rigor ético, pela pureza da forma e por uma ligação quase mística com os elementos da natureza, especialmente o mar e a luz da Grécia e do Mediterrâneo.
A poesia de Sophia não é apenas um exercício estético; é um ato de resistência e de busca pela "inteireza" do ser. Em seus versos, a palavra funciona como um instrumento de precisão para denunciar a injustiça e o cerceamento da liberdade, ao mesmo tempo em que celebra a beleza intrínseca das coisas simples: a pedra, a concha, o jardim e a casa.
Esta seleção percorre as várias fases da autora, desde a densidade espiritual de seus primeiros livros até a poesia mais interventiva e política, sem nunca perder a harmonia clássica que a caracteriza. Ler Sophia é entrar em contato com uma escrita que "vê" o mundo de forma transparente, exigindo do leitor uma atenção plena e uma entrega à verdade das palavras.
Reflexão Literária
A poesia de Sophia é frequentemente descrita como "solar". Há nela uma recusa ao obscuro e ao labirinto desnecessário. Para a autora, a poesia é a arte do real, onde a beleza e a moral caminham juntas. O mar, elemento onipresente, surge como um símbolo de infinito e de limpeza rritual.
Através destes poemas escolhidos, percebe-se a voz de uma mulher que nunca se apartou do seu tempo, lutando com a palavra contra a ditadura em Portugal, enquanto mantinha o olhar fixo na eternidade dos mitos clássicos.