POESIA - JORGE LUIS BORGES

Poesia

O universo metafísico em versos de tempo e memória


Embora seja mundialmente consagrado pelos seus contos labirínticos, Jorge Luis Borges sempre se considerou, fundamentalmente, um poeta. A sua Poesia é o núcleo de onde emana todo o seu universo literário: os espelhos, os tigres, as bibliotecas infinitas e a perplexidade diante do tempo. Para Borges, o verso era a forma mais pura de captar a "imprecisão precisa" da realidade.

A trajetória poética de Borges começa com o fervor ultraísta de Fervor de Buenos Aires (1923), celebrando as ruas e os entardeceres da sua cidade natal, e evolui para uma poesia mais metafísica, clássica e elegíaca em obras como O Ouro dos Tigres e A Cifra. À medida que a sua cegueira avançava, os seus poemas tornavam-se mais sonoros e rítmicos, confiando na memória e na cadência das palavras para construir imagens que ele já não podia ver, mas que sentia com clareza intelectual.

Ler a poesia borgeana é aceitar o convite para um diálogo com a eternidade. Nela, o autor funde a erudição literária — citando sagas islandesas, filósofos gregos e poetas ingleses — com uma emoção contida e profunda. É uma obra que não busca a novidade pela novidade, mas a redescoberta da beleza nas formas tradicionais do soneto e do verso livre, sempre sob a sombra da dúvida existencial e da admiração pelo mistério de estar vivo.

Informação Detalhes
Autor Jorge Luis Borges
Nacionalidade Argentina
Gênero Poesia / Lírica Metafísica
Obras Principais Fervor de Buenos Aires, O Outro, O Mesmo, A Cifra
Símbolos Recorrentes Labirintos, Tigres, Espelhos, Espadas, Relógios de Areia

Essência Borgeana

A poesia de Borges não busca a confissão sentimental, mas a revelação de ideias. Para ele, o pensamento é uma forma de imaginação, e um soneto pode ser tão rigoroso quanto um teorema matemático.

Mesmo lidando com temas complexos como o infinito ou a memória circular, a sua voz mantém-se de uma simplicidade elegante. É uma poesia que exige ser relida, pois a cada leitura o labirinto revela uma nova saída — ou um novo beco sem saída.

Gemini