POESIAS REUNIDAS - OSWALD DE ANDRADE
Poesias Reunidas
A irreverência antropofágica e a invenção da língua brasileira
As Poesias Reunidas de Oswald de Andrade representam o coração pulsante da revolução estética de 1922. Diferente da introspecção de outros poetas de sua época, Oswald lançou-se sobre a realidade brasileira com a voracidade de um antropófago. Este volume reúne obras seminais como Pau-Brasil e o Primeiro Caderno de Aluno de Poesia Oswald de Andrade, revelando um autor que utilizou a ironia, o humor e o corte seco para demolir a solenidade acadêmica e descobrir o Brasil "atrás da gramática".
A poética de Oswald é definida pelo "poema-piada" e pela síntese máxima. Ele foi o mestre da técnica do flashback e da montagem cinematográfica aplicada ao verso, capturando a rapidez da vida moderna e a mistura de raças e falares que compõem a identidade nacional. Seus poemas são flashes de luz que iluminam a nossa história colonial sob uma ótica crítica e brincalhona, propondo que a alegria é a prova dos nove de nossa cultura.
Ler a obra reunida de Oswald é entender que a poesia pode ser, simultaneamente, um brinquedo e uma arma. Ele nos libertou do "português de doutor" para nos devolver a fala cotidiana, rica em "erros" que, na verdade, são as marcas da nossa originalidade. Poesias Reunidas não é apenas um documento histórico; é um convite contínuo à liberdade criativa e à descolonização do pensamento, reafirmando Oswald como o mais radical dos nossos modernistas.
A Poética do Relance
"Dê-me um cigarro / Diz a gramática / Do professor e do aluno / E do mulato sabido / Mas o bom negro e o bom branco / Da Nação Brasileira / Dizem todos os dias / Deixa disso camarada / Me dá um cigarro."
Este trecho de "Pronominais" resume a luta de Oswald: a preferência pela vida pulsante sobre a regra engessada.