SIMONAL: NEM VEM QUE NÃO TEM
Simonal: Nem vem que não tem
A ascensão meteórica e o exílio em vida do rei da pilantragem
Publicado em 2009, Simonal: Nem Vem que não Tem é uma obra de fôlego do jornalista Ricardo Alexandre. O livro reconstrói com minúcia a trajetória de Wilson Simonal, o primeiro popstar negro do Brasil, que dominou as paradas de sucesso nos anos 60 com seu carisma avassalador e o balanço irresistível da "pilantragem", transformando-se em um fenômeno de massas capaz de lotar estádios.
A biografia mergulha fundo no enigma que destruiu a carreira do artista: a acusação de ser informante do DOPS durante a ditadura militar. Ricardo Alexandre não se limita ao julgamento moral; ele investiga os fatos, o temperamento explosivo de Simonal e o contexto paranoico da época para explicar como o homem que tinha o Brasil aos seus pés tornou-se o maior pária da música popular brasileira, enfrentando um boicote que o apagou da história por décadas.
Com uma narrativa vibrante que evoca os tempos áureos dos festivais e dos programas de TV, o autor humaniza Simonal, mostrando tanto o seu gênio musical quanto as suas falhas trágicas. É um documento essencial não apenas sobre a música, mas sobre a política, o racismo e a complexa engrenagem do cancelamento muito antes da era digital.
Justiça Histórica
Ricardo Alexandre consegue equilibrar o entusiasmo pelo talento avassalador de Simonal com o distanciamento necessário para analisar o episódio do DOPS. O livro é fundamental para entender como o Brasil lida com seus ídolos e seus traumas políticos.
A obra contribuiu imensamente para o processo de reabilitação artística de Simonal, permitindo que as novas gerações redescobrissem a técnica vocal impecável de um intérprete que, por muito tempo, foi injustamente reduzido a uma nota de rodapé polêmica.