SÓ PARA MAIORES DE CEM ANOS
Só para maiores de cem anos
A antipoesia e a demolição do sagrado
Publicada no Brasil com organização de Joana Barossi e tradução de diversos poetas, Só para maiores de cem anos é uma porta de entrada monumental para a obra de Nicanor Parra. O autor chileno, que viveu até os 103 anos, é o criador da "antipoesia", um movimento que buscou descer os poetas do Olimpo e trazê-los para o nível da rua. Contra a solenidade de seus contemporâneos, Parra propôs uma escrita direta, crua e carregada de um humor cáustico que questiona tudo: da política à religião, da morte à própria literatura.
A estética de Parra é baseada no uso de clichês, provérbios subvertidos e uma dicção deliberadamente prosaica. Para ele, o poeta não é um ser iluminado, mas um homem comum que observa as contradições da vida com um riso amargo. Em seus "artefatos" e poemas, o sagrado é profanado para que a realidade possa emergir sem máscaras. Esta antologia revela a longevidade criativa de um autor que nunca parou de se reinventar, provando que a provocação e a inteligência não envelhecem.
Ler Nicanor Parra é um exercício de liberdade. Ele nos ensina que o riso pode ser uma forma de resistência e que a poesia ganha força quando se despe das pretensões metafísicas para abraçar o absurdo do cotidiano. Só para maiores de cem anos é um convite à lucidez através da ironia, reafirmando que, na antipoesia, o herói é aquele que sobrevive à própria história com o espírito crítico intacto.
A Receita do Antipoeta
"A poesia foi o paraíso do tonto solene. Até que cheguei eu com minha montanha-russa." Parra transformou a leitura em uma experiência de vertigem e riso.
Nesta coletânea, vemos como a linguagem popular pode carregar a mais alta densidade de pensamento filosófico.