SOCIEDADE PALIATIVA: A DOR HOJE
Sociedade paliativa
A mania da curtição e o analgésico do "Like"
Em Sociedade paliativa: A dor hoje, o filósofo Byung-Chul Han realiza uma autópsia da cultura contemporânea, diagnosticando o que ele chama de "sociedade do curtir". Nesta obra, publicada em edição brasileira em 2021, Han argumenta que o like tornou-se o grande analgésico do presente. Vivemos sob um imperativo onde tudo — da arte à vida cotidiana — deve ser "instagramável", o que exige a remoção de qualquer ângulo, conflito ou contradição que possa causar desconforto ou dor.
A crítica de Han é direcionada à degeneração da experiência em uma "mania de curtição". Ao evitar a negatividade e a dor, a sociedade perde a capacidade de purificação e catarse. Para o filósofo, a dor não é apenas um sintoma biológico, mas um elemento que dá contorno à existência; sem ela, a vida torna-se rasa, linear e desprovida de profundidade. A arte e o pensamento, quando submetidos à lógica do agrado imediato, perdem sua força transformadora e tornam-se meros objetos de consumo paliativo.
Ler esta obra é confrontar a ideia de que a felicidade obrigatória é, na verdade, uma forma de opressão. Han nos alerta para o perigo de uma vida "livre de cantos", mostrando que a verdadeira vitalidade reside na capacidade de suportar e processar a dor, em vez de apenas anestesiá-la com o fluxo contínuo de aprovações digitais. É um convite urgente para recuperarmos a aspereza da realidade e a profundidade dos sentimentos que não podem ser traduzidos por um simples clique.
A Ditadura da Curtição
"O 'like' é o signo, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor." Byung-Chul Han expõe a anestesia coletiva.
Nesta obra, descobrimos que a busca por uma vida sem conflitos e contradições nos rouba a própria humanidade e a possibilidade de cura real.