TODOS OS POEMAS - PAUL AUSTER
Todos os Poemas
A fundação poética e metafísica do universo austiriano
Embora seja mundialmente aclamado por sua prosa e pela célebre Trilogia de Nova York, Paul Auster iniciou sua jornada literária como poeta. Todos os Poemas reúne a produção escrita entre o final dos anos 60 e o início dos 80, período em que o autor se dedicou quase exclusivamente à poesia e à tradução, antes de migrar definitivamente para o romance.
A poesia de Auster é marcada por um rigor intelectual e uma economia verbal impressionantes. Influenciado profundamente pelos surrealistas franceses e por poetas como Paul Celan e Samuel Beckett, seus versos exploram a lacuna entre a linguagem e o mundo material. São poemas que investigam a solidão, a impossibilidade da comunicação plena e a fragilidade da identidade humana, temas que mais tarde se tornariam os pilares de sua ficção.
Nesta coletânea, percebemos um Auster mais cru e experimental. Seus poemas funcionam como pequenos mecanismos de precisão que tentam capturar o "ser" através do silêncio e do espaço em branco da página. Para os admiradores de sua prosa, este volume é essencial para compreender a gênese de sua obsessão pelo acaso e pela mecânica do destino, revelando a alma de um romancista que nunca deixou de ser, no âmago, um poeta da incerteza.
Arquitetura do Verso
A poesia de Auster não busca o adorno; ela busca a essência. Existe uma dureza quase mineral em suas imagens, como se ele estivesse tentando escavar a realidade para encontrar o que resta quando as palavras falham.
A leitura deste volume oferece uma chave mestra para toda a sua obra posterior. Ao entender o Auster poeta, o leitor compreende por que seus personagens de ficção muitas vezes se perdem em labirintos de linguagem e coincidências.