TRADUTOR DE CHUVAS

Tradutor de Chuvas

A escrita como orvalho sobre a terra e a memória


Publicado em 2011, Tradutor de Chuvas é uma das incursões poéticas mais marcantes de Mia Couto. Conhecido mundialmente pela sua ficção que reinventa a língua portuguesa, o autor moçambicano entrega neste volume uma poesia que é, simultaneamente, telúrica e etérea. A obra é um mergulho nas águas da infância, na observação da natureza e na reconstrução de um país que se faz tanto de terra quanto de sonhos.

A poesia de Mia Couto em Tradutor de Chuvas não se separa do seu olhar biológico e humanista. Ele escreve como quem traduz o silêncio das savanas e o murmúrio das águas, utilizando neologismos e metáforas que fundem o homem ao seu meio. Os poemas abordam a passagem do tempo, a finitude e a resiliência de um povo que aprendeu a ler os sinais do céu para semear o futuro. A chuva, aqui, é um símbolo de purificação e renascimento, mas também de uma melancolia mansa que banha as recordações.

Ler este livro é participar de um ritual de escuta. Mia Couto convida a um abrandamento do passo para perceber as pequenas magias do mundo — o voo de um pássaro, a sombra de uma árvore, o peso de uma palavra dita ao entardecer. Tradutor de Chuvas reafirma que a poesia não é apenas um gênero literário, mas uma forma de habitar o mundo com espanto e reverência.

Informação Detalhes
Autor Mia Couto
Lançamento 2011 (Editora Caminho)
Gênero Poesia Moçambicana
Estilo Lírico, Telúrico e Metafórico
Temas Natureza, Infância, Identidade e Ciclos

A Escrita do Chão

"O poeta não é aquele que vê, é aquele que faz ver." Mia Couto cumpre este desígnio ao transformar a humidade da terra e o calor do sol em versos que tocam a universalidade da alma humana.

Nesta tradução das chuvas, descobrimos que a linguagem é o território onde a memória e a esperança se encontram para regar a nossa própria existência.

Gemini