ANNA KARENINA
Anna Karenina: A Lei e o Desejo
Liev Tolstói e a anatomia de uma alma em busca de verdade.
"Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Com esta frase, Tolstói abre um dos maiores romances de todos os tempos. Anna Karenina não é apenas uma história sobre adultério, mas uma investigação profunda sobre a hipocrisia social e a busca desesperada pela autenticidade em um mundo de regras rígidas.
O Trilho e o Destino
Enquanto Emma Bovary sofria de uma insatisfação imaginária, Anna sofre por uma paixão real que a isola do mundo. Tolstói utiliza o símbolo do trem — a modernidade que avança e esmaga — como um presságio constante. Anna é uma mulher de sentimentos intensos que prefere a destruição à mentira, o que a torna uma figura heroica e, simultaneamente, condenada.
"Não sou eu quem sou má, é a vida que é difícil. Eu queria viver e não ser julgada por querer o que todos querem: ser feliz."
O contraste com a trajetória de Liévin (o alter ego de Tolstói no livro) nos mostra que a redenção para o autor reside na simplicidade e na conexão com a terra. Mas é a figura magnética de Anna, com seu brilho e seu desespero, que permanece na memória como o grito de uma alma que se recusou a ser apenas um adereço social.